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A agricultura que ajuda a natureza.

Por Gabriela da Mota Ferreira – Ao longo dos anos, percebeu-se uma máxima ecológica importante para o direcionamento das pesquisas científicas. Não há a necessidade de dominar a natureza, mas sim de viver de acordo com ela. O progresso das tecnologias voltadas para o campo, como por exemplo, o uso intensivo de máquinas agrícolas/florestais e a aplicação indiscriminada de produtos químicos (adubos e agrotóxicos), têm servido para uma maior e mais rápida intervenção sobre os ecossistemas naturais e tem provocado um crescente prejuízo, acelerando os processos de poluição do ar e degradação física, química e biológica do solo. Os ecossistemas naturais são autossustentáveis, numa perspectiva ecológica, mantêm seus processos de acordo com a capacidade do meio. As primeiras pesquisas que visavam reestabelecer os padrões ecológicos, recuperando áreas degradadas, tinham como base o método aleatório de plantio comtemplando espécies exóticas e nativas. Os diferentes tipos de degradações ambientais nos mostram  que não há apenas um caminho a seguir. Os métodos de recuperação e restauração florestal foram se aprimorando cada vez mais, uns compondo de modo mais diverso as espécies dentro de suas características ecológicas, outros introduzindo ao plantio consórcios com espécies forrageiras e de adubação verde. Hoje, podemos também nos referir a recuperação de áreas degradadas e restauração florestal com o método da Agricultura Sintrópica. Você já ouviu falar sobre Agricultura Sintrópica? Tudo começou quando assisti o vídeo “Life in Syntropy”, fiquei encantada. O vídeo falava de uma nova maneira de se fazer agricultura, respeitando os processes ecológicos em um sistema totalmente sustentável e orgânico. Criado por Ernst Götsch, agricultor e pesquisador suíço que veio para o Brasil no início da década de 80, a Agricultura Sintrópica vem transformando o modo de pensar a agricultura, quebrando paradigmas e nos levando a olhar e a aprender como a Natureza se molda em todos os seus processos ao longo do tempo e espaço.

“As leis da natureza são dadas, não nos cabe criá-las ou modificá-las. Temos de agir de forma benéfica para todos os participantes, todos os atingidos, de modo a voltarmos a ser considerados seres úteis e bem-vindos no sistema.” Ernst Götsch

Como quem rege uma orquestra, Ernest conseguiu sistematizar a dinâmica de sucessões que ocorrem em uma floresta. Com mais de três décadas de pesquisas, vem desenvolvendo um novo método de produzir alimentos plantando florestas. Como é possível plantar florestas e produzir alimentos ao mesmo tempo? Essa foi a minha principal dúvida, todo o conhecimento que eu adquiri ao longo dos anos recuperando e plantando florestas estava sendo revisto. Li vários artigos e livros a respeito, e cada vez mais tinha certeza que a Agricultura Sintrópica era revolucionaria de tão simples e ao mesmo tempo tão complexa para agricultura convencional. Foi então que tive a oportunidade de conhecer o pessoal da Terra Planta Orgânicos, uma galera apaixonada por Agrofloresta, e foi na sede deles que fiz meu primeiro curso sobre “Sistemas Agroflorestais” ministrado por Juã Pereira, um dos mais experientes sintrópicos aprendiz de Ernst.  Foi fantástico, todos os conceitos, métodos e regras que aprendi se transformavam a cada diálogo, a cada troca de conhecimento. (Aliás, o curso do Juã será ofertado novamente pela Terra Planta, nos dias 8,9 e 10 de junho).

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