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A Santa Planta: o sucesso do plano B

Como surgiu a floricultura de Londrina que está dando outra vida a louças que os donos não querem mais; a flores que já estão murchando; e a uma doutora que nunca havia pensado se tornar comerciante.


- Por Christina Mattos


É uma loja pequena e repleta de plantas e antiguidades. Folhagens e flores dividem prateleiras com xícaras, pratos e travessas de porcelana. Um varal de toalhinhas de crochê e bordados se estende sobre um balcão. Na escada, em espiral, ramalhetes de rosas secas sobem até o teto pendurados por fitas amarradas ao corrimão de ferro. O cenário feito de delicadezas acolhe o visitante e dá pistas da história e da personalidade da criadora da A Santa Planta.



“Eu não planejei, mas tudo foi acontecendo para que desse certo.” Foto: Todospor1.

Plano A

O plano original de Aparecida Donizete de Faria era seguir a carreira acadêmica. Nascida em Minas Gerais, foi com a família, ainda criança, para Americana, cidade paulista. Desde sempre apreciava arte e natureza. Aluna da Unicamp e da USP, se tornou doutora em Biologia Vegetal e pesquisadora em Botânica e Taxinomia, a ciência de classificar plantas.

Passou muitos anos dedicada aos estudos e publicou um livro, com um grupo de pesquisadores, o Guia de campo para plantas aquáticas e palustres do estado de São Paulo. Casou e mudou-se para Manaus, acompanhando o marido, José Eduardo Lahoz da Silva Ribeiro, aprovado num concurso do INPA , o Instituto nacional de Pesquisas da Amazônia.

José Eduardo também é botânico e durante 15 anos pesquisou espécies da Amazônia Central. Está entre os autores de um guia de identificação de plantas com 800 páginas, um exemplar se destaca sobre a mesa de trabalho na floricultura.

“Está se discutindo muito a Amazônia hoje e a maioria das pessoas não sabe o potencial que temos na floresta. A quantidade de plantas bonitas é enorme. Plantas nativas que poderiam ser pesquisadas e reproduzidas para comercialização, gerando muita riqueza para o país. Você não pode entrar na mata e retirar a planta, é crime. Mas seria um ótimo negócio investir em pesquisa para identificar espécies com potencial comercial e os processos para a reprodução em escala. “


Porque Londrina

Naquela época em que era vizinha da floresta, Aparecida nem sonhava virar comerciante de plantas ornamentais. O futuro da filha Ana, então com 6 anos de idade, e a vontade de ficar mais perto da família, motivaram o casal de pesquisadores a buscar outro endereço.

Em 2009 José Eduardo passou num concurso para professor na Universidade Estadual de Londrina. Aparecida conseguiu contratos temporários sucessivos durante 7 anos. Foi consultora no Iapar, o Instituto Agronômico do Paraná, e deu aulas nas universidades estaduais de Maringá e Londrina. O último contrato acabou em 2016, sem a abertura de novas vagas para professores, ela precisou descobrir um novo caminho.


Quando tudo se encaixa

Foi a irmã dela quem sugeriu. Por que não abrir uma floricultura, já que Aparecida sempre gostou de plantas ornamentais? E por que não usar o acervo de antiguidades que vinha colecionando ao longo dos anos como um diferencial? A oferta de um espaço bem localizado foi o empurrão que faltava. Em fevereiro de 2019 era inaugurada a A Santa Planta, no box 89, do Mercadão da Prochet.

“Uma floricultura, sozinha, só por ela, é mais difícil de dar certo. Hoje em dia se associa a uma outra coisa. Um café, uma boleria, rotisserie ou decoração. Como eu já tinha a louça antiga, foi uma coisa natural. No começo eu trouxe algumas pecinhas, aos poucos fui trazendo o estoque, agora já está na hora de garimpar mais e repor. Minha irmã é advogada em São Paulo e quando ela atende famílias em casos de espólio, me ajuda a comprar quando os herdeiros não desejam ficar com as antiguidades.”




Propósito

A Santa Planta procura oferecer folhagens e flores que o consumidor não encontra em supermercados e lojas especializadas. Aparecida conta que fica atenta aos lançamentos, como o mini cravo lilás que havia acabado de chegar no dia da entrevista.

O estoque é renovado semanalmente para oferecer variedade e flores frescas em vasos ou para corte. Mas Aparecida descobriu que mesmo com o passar do tempo as flores podem permanecer belas. Passou a desidratar aquelas que sobravam ao fim da semana e criou um produto cheio de personalidade, os ramalhetes de flores secas.


Foto: Acervo A Santa Planta.

“Fiquei até surpresa em ver como agradou. Outro dia um cliente pediu algo exclusivo para presentear a esposa. Montamos o arranjo de flores secas numa peça de louça antiga. Ficou incrível. A mulher nos enviou mensagem agradecendo. E acabamos de receber encomenda de uma noiva. Ela quer guardar o buquê de casamento como recordação e as flores desidratadas permanecem bonitas por muito tempo desde que protegidas de umidade.”

Hoje o braço direito de Aparecida é a filha Ana, que completou 17 anos, e é a sócia no negócio. Nenhuma das duas fez qualquer curso para aprender a criar arranjos. Juntas, intuitivamente, elas desenvolveram a assinatura floral da marca.

O investimento inicial para montar a loja e ter um capital de giro veio da família. A mãe, a irmã e o marido contribuíram. Aparecida entrou com a coragem e a paixão pela natureza e pela arte.

“Há muito de feio no mundo. Eu procuro compartilhar e me cercar de coisas belas. A Santa Planta quer gerar bem-estar para as pessoas. Não há uma explicação científica para a atração que as flores exercem sobre os seres humanos, mas em momentos importantes, tristes ou alegres, queremos estar perto delas. “

A Santa Planta vende vasos, arranjos, ramalhetes, aluga plantas e faz decoração personalizada para eventos, exclusivamente com plantas naturais.

Mercadão da Prochet, Av. Harry Prochet, 305, Londrina. WhatsApp (43) 98860-8412.


Ana, filha e sócia de Aparecida na A Santa Planta. Foto: Edinho.





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