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Aplicativo criado em Londrina salva comida boa que iria para o lixo

Em julho de 2018, Rafael Moreno, morador de Londrina no Paraná, viu uma reportagem sobre uma cafeteria de Hong Kong.

A empresa adotou a prática de vender, no próprio site, os alimentos que sobravam no fim do dia, por um preço bem abaixo do normal.

Foi aí que o engenheiro civil teve a ideia. Criar uma solução para reduzir as perdas comuns em qualquer estabelecimento que vende comida.

Naquela mesma semana, Moreno convidou um amigo, o xará Rafael Koyama, também engenheiro civil, para pesquisar mais sobre o tema.

Os dois já conheciam o problema do desperdício porque são de famílias do ramo da gastronomia. Mas ficaram impressionados com a gravidade da situação.

Um terço dos alimentos produzidos no planeta é jogado fora, enquanto 815 milhões de pessoas ainda sofrem com a fome. O dado é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Um levantamento da entidade mostrou que 26,3 milhões de toneladas de alimentos foram desperdiçadas no Brasil em 2013. Em média, cada brasileiro joga fora 40 quilos de comida por ano

Os dois amigos viraram sócios e em sete meses desenvolveram o aplicativo Ecofood, lançado em fevereiro deste ano.

“O nosso trabalho ajuda tanto as empresas, que na maioria das vezes não vendem a quantidade total dos alimentos que produzem e acabam jogando comida fora, quanto os consumidores, já que os produtos são ofertados, em média, pela metade do preço." Rafael Moreno, sócio da Ecofood.

As compras podem ser feitas exclusivamente pelo aplicativo e o cliente precisa buscar o que comprou em horários determinados pelos comerciantes, geralmente no fim do expediente.

Hoje 175 empresas de sete cidades estão vendendo alimentos pelo Ecofood. São restaurantes, lanchonetes, padarias, cafeterias, mercearias e sacolões.

No Paraná, além de Londrina, há comerciantes cadastrados em Ibiporã, Rolândia, Arapongas, Maringá e Campo Mourão. Comerciantes de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, também aderiram.

Até agora, quando postamos esse material, 8,5 toneladas de comida foram salvas.

“A gente não está solucionando 100% do desperdício de alimento e nem acabando com o problema da fome, mas a gente está fazendo o nosso pouquinho e é nisso que a gente acredita. O meu pouquinho, com o seu pouquinho e o pouquinho do colega do lado, vira algo grande." Raphael Koyama, sócio da Ecofood.

O Todos por 1 comprou por R$10 um sanduíche e um sonho de creme de avelã numa padaria sofisticada em Londrina, o Armazém Santa Ana. O valor normal da compra seria de R$18. O proprietário da padaria, Luiz Henrique Messas, conta que aderiu ao Ecofood há pouco tempo e vê como grande mérito do aplicativo a conscientização sobre o consumo responsável e o desperdício.


O proprietário da padaria, Luiz Henrique Messas, conta que aderiu ao Ecofood há pouco tempo e vê como grande mérito do aplicativo a conscientização sobre o consumo responsável e o desperdício.


“Se não fosse o aplicativo, produtos frescos, preparados há poucas horas, iriam para o lixo. Doação é muito complicado.” Luiz Messas, comerciante.

“É complicado mesmo, principalmente no caso da comida pronta”, concorda a diretora da Vigilância Sanitária Municipal de Londrina, Sônia Fernandes. “A lei não proíbe doação, mas se alguém que consumir passar mal, a responsabilidade é do estabelecimento que doou.”

As punições vão desde uma advertência, até o pagamento de multa e interdição da empresa. Doar se torna um risco que a maioria das empresas não está disposta a encarar. Se houver um problema após a doação, no transporte, na armazenagem ou com relação ao prazo parta consumo, por exemplo, a responsabilidade sobre danos à saúde continua sendo de quem produziu a comida.


Para baixar o Ecofood, acesse a loja do seu celular.

35 mil pessoas fizeram o download e 12.500 cadastraram os dados para usar.

Experimente e conte o que achou.

Compartilhe também outras inciativas que estão evitando o desperdício de alimentos.

Um exemplo bacana foi indicado pelos próprios sócios da Ecofood. Eles fazem doação em dinheiro para o Banco de Alimentos, uma ong de colheita urbana criada em São Paulo para ajudar quem não tem o que comer.

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Ouça a entrevista que Isabela Albano Buriola gravou com Rafael Moreno e Raphael Koyama, fundadores do Ecofood; a opinião da comerciante Tieko Inagaki Hara, que oferta produtos no aplicativo; e a avaliação do consumidor Raidan Cruz.





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