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Comerciantes e consumidores de Londrina colaboram para reduzir uso de plástico


Marilucia Ludovico e os potes reciclados na Granarium. Foto: Isabela Buriola.

Cada novo cliente que entra na Granarium, loja de produtos naturais em Londrina, é convidado a usar potes de vidro reciclados como embalagem para cereais, farinhas, frutas secas e sementes. A dona da loja, a bióloga Marilucia Ludovico, sabe: estamos afogados em plástico, precisamos mudar de hábitos. Hoje produzimos 53 k de plástico para cada habitante do planeta, 40% do material plástico é usado só uma vez. Mares, oceanos, rios e solo estão altamente poluídos, prejudicando a natureza, a pesca, a agricultura, o turismo e a saúde humana.

“Nós reutilizamos os vidros que a maioria das pessoas joga no lixo. Eu peço para que os clientes doem os potes para a loja. Nós lavamos, esterilizamos e ficam disponíveis para quem quiser usar na hora de embalar produtos comprados aqui. Estamos repetindo na loja o que fazemos na minha casa, tentando incentivar nossos clientes a não usarem tanto plástico, nem produzirem tanto lixo. A aceitação é boa, ficamos até admirados por ter tantos jovens engajados nessa causa.”

Marilucia Ludovico, sócia na Granarium

A empresa, aberta no começo de 2019, já nasceu preocupada com a defesa do meio ambiente. Além de oferecer potes de vidro gratuitos, a Granarium vende potes de plástico reutilizáveis, orienta os clientes a usar sacolas retornáveis e oferece canudos de papel para consumo de sucos e chás.

Julia Mattos Bahls, cliente há seis meses, se empenha em consumir com moderação e responsabilidade. A estudante, de 23 anos, adotou o hábito de carregar sacolas de tecido para as compras e se tornou cliente da Granarium quando descobriu que a empresa defendia causas ambientais.

“Usar os potinhos reciclados para as compras foi o que me tornou cliente fiel. Não compro quase nada nos supermercados porque acho a lógica das embalagens plásticas horrível.”

Julia Mattos Bahls, cliente da Granarium


Marmita no pote


Refeições em potes da Green4food. Foto/ Acervo Green4food.


A Green4food é mais uma empresa de Londrina que optou pelo reciclável no lugar do descartável. Oferece refeições saudáveis para entrega em potes de vidro.

“O cliente pode reutilizar os potes em casa ou, se não for usar, devolver para a empresa. Cada pote devolvido gera um desconto. É uma forma de incentivar as pessoas a não jogarem fora o pote que serve para nós e assim, ajudar a reduzir a quantidade de lixo.”

Maira Gomes de Almeida, sócia proprietária da Green4food

Os clientes se identificam e elogiam a iniciativa. São consumidores que se sentem bem quando a compra contribui de alguma forma para a causa ambiental. São pessoas que acreditam que pequenas atitudes contribuem para a solução de grandes problemas.

“Há quem deixe de comprar em alguns lugares, por causa da quantidade de embalagem produzida. Acho que a conscientização é um trabalho muito importante que a Green4food está realizando.”

Helena Abelha Stremlow, cliente da Green4food



Café na xícara


Equipe do Armazém Café. Foto: Isabela Buriola.

O Armazém Café já tem uma história de 15 anos em Londrina. Famoso por oferecer bebida de qualidade, feita com cafés premiados de várias partes do Brasil, também aderiu ao corte no plástico.

“A gente tenta fazer o máximo possível utilizando as práticas sustentáveis, começando pelo não uso dos copos plásticos. Nosso serviço inteiro é feito em louça e nós não usamos nenhum tipo de talher ou mexedor descartável. A água que comercializamos é engarrafada em vidro, nós só usamos canudos de inox e, quando vamos aos supermercados, levamos caixas para trazer as compras, para que não precisemos trazer uma grande quantidade de sacolas. Além disso, não oferecemos mais sacolas plásticas, utilizamos sacos de papel e o cliente que comprar um tanto “x” de pacotes de café, ganha uma sacola retornável”.

Cristina Rodrigues Maulaz, sócia-gerente do Armazém Café


Lei municipal proíbe canudinho de plástico



Uma lei municipal aprovada no fim de 2018 proíbe o fornecimento de canudos de plástico em hotéis, restaurantes, bares, padarias, entre outros estabelecimentos de Londrina. Mas ninguém fiscaliza ainda o cumprimento dessa lei. Segundo a assessoria da Secretaria de Governo da prefeitura, um decreto será assinado em breve, determinando que todas as secretarias municipais que possuem fiscais no quadro de funcionários são responsáveis por fazer valer a proibição. O valor da multa prevista chega até R$1.000 para quem não se adequar.


Consumo descontrolado


Foto: Julia Joppien.

O Brasil está em quarto lugar no ranking dos países que mais geram lixo plástico no mundo atrás somente dos EUA, China e Índia. São produzidas 11,3 milhões de toneladas por ano no país. A maior parte é coletada para reciclagem, mas apenas 1,28% desse volume está sendo realmente reutilizado. Há muita perda na separação de tipos de plástico, por estarem contaminados, serem multicamadas ou de baixo valor. Os dados fazem parte de um estudo do WWF (Fundo Mundial para a Natureza), rede sem fins lucrativos e apartidária presente em 100 países.

Ainda segundo o WWF, o destino de 7,7 milhões de toneladas de plástico são os aterros sanitários nos municípios brasileiros. E outros 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartados de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto.

De acordo com o estudo “o plástico não é inerentemente nocivo. É uma invenção criada pelo homem que gerou benefícios significativos para a sociedade. Infelizmente, a maneira com a qual indústrias e governos lidaram com o plástico e a maneira com a qual a sociedade o converteu em uma conveniência descartável de uso único transformou esta inovação em um desastre ambiental mundial. Aproximadamente metade de todos os produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados após 2000. Este problema tem apenas algumas décadas e, ainda assim, 75% de todo o plástico já produzido já foi descartado.”

“Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza”, afirma Marco Lambertini, Diretor-Geral do WWF-Internacional.


Por Isabela Buriola, estudante de Jornalismo, estagiando no Todos por 1.

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